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À QUATRO MÃOS

Olhares de Saudade: uma parceria que surgiu On line

O escritor cabo-verdiano João Furtado e a escritora e poetisa portuguesa Arlete Piedade lançam hoje (03) na Biblioteca Nacional, na Praia, o seu primeiro livro, escrito à quatro mãos,Olhares de Saudade. O trabalho será apresentado por Antonieta Lopes, Daniel Medina e Fátima Bettencourt na Biblioteca Nacional. Para os escritores o volume é uma parceria que nos leva a conhecer a riqueza da diversidade mestiça.

Procuramos escrever simples e acessível, para que possamos ser lidos por toda as pessoas sem qualquer complicação de ir ao dicionário para ver o significado das palavras

Conforme explica a portuguesa, a parceria surgiu através da Internet. “Eu encontrei o blogue do João Furtado e fiquei bastante apaixonada pela sua poesia principalmente pela sua temática social e ambiental. A partir daí começamos a falar e a desenvolver uma amizade. Depois de alguns encontros virtuais passamos a falar, em contos, sobre nossas infâncias, nossas raízes, nossa vida, nossas culturas e acabou por surgir a ideia de juntarmos os nossos escritos em livro e não demorou muito surgiu a ideia deste romance, Olhares de Saudade”.

A experiência de fazer um romance à quatro mãos e com um oceano a separá-las é inédita para ambos os autores que também confessam não conhecer, em termos de literatura, outro trabalho feito da mesma forma.

Como tudo começou? O cabo-verdiano João Furtado começou a escrever sobre a sua cultura, Cabo Verde e essencialmente sobre a sua infância porque ele vive em Cabo Verde mas nasceu em São Tomé e Príncipe. “Os seus contos me inspiraram a escrever também sobre a minha infância, a minha cultura”, diz a portuguesa. E nesse querer dar a conhecer um ao outro através dos escritos resolveram juntar esses contos em forma de romance. Alguma vez ficaram travados na escrita por causa de alguma discórdia, difícil de resolver on line? A resposta foi rápida e animadora “concordamos sempre em tudo, tivemos e continuamos a ter uma grande cumplicidade, uma grande amizade, nunca tivemos qualquer conflito, qualquer discórdia”, esclarece Arlete.

Conforme escreveu Daniel Medina, “Olhares de Saudade lê-se de um só fôlego e depois fica a saudade do próximo volume”. Sim o livro terá mais um volume, mas essa divisão não fazia parte da ideia inicial, de acordo com os escritores. “A ideia de fazer mais do que um volume surgiu porque tínhamos muito o que dizer e que não cabia num único volume. Quando chegamos ao fim pensamos, mas isto fica muito incompleto. Nós temos muito mais coisas para dizer porque arranjamos outras personagens, já não era só sobre nós”. Ainda não está bem definido o tempo certo para a saída do próximo volume. Esse, que vai ser lançado hoje demorou três anos até ver a luz do dia, mas a dupla espera que o próximo seja mais breve.

Nós temos muito mais coisas para dizer

O cabo-verdiano escreveu as acções que passam em Cabo Verde e a portuguesa as em Portugal. Assim quando as personagens de Portugal vêm a Cabo Verde as acções são narradas por João Furtado e vice-versa.

“Gostaríamos de convidar a todos para comparecerem hoje (3) na Biblioteca Nacional, às 18 horas, para conhecerem não só o livro mas também os seus autores. O livro é de muito fácil leitura. Procuramos escrever simples e acessível, como nós próprios somos - pessoas simples - para que possamos ser lidos por toda as pessoas sem qualquer complicação de ir ao dicionário para ver o significado das palavras. Olhares de Saudade tem várias cenas engraçadas também”. E o convite está feito!

jornalismo@praiafm.biz

2012-08-03 09:18:00 - Verónica Oliveira
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